terça-feira, agosto 28, 2012

A poesia é branca - Pablo Neruda

A poesia é branca:

Sal de água envolta em gotas,
enruga-se e amontoa-se,
é preciso estender a pele deste planeta,
é preciso engomar o mar com a sua brancura e vão e vêm as mãos ,
alisam as sagradas superfícies
e assim se engedram as coisas:
dia a dia fazem as mãos o mundo,
une-se o fogo ao aço,
chegam o linho, o algodão e o cotim
da faina das lavandarias
e nasce da luz uma pomba:
a pureza regressa da espuma.

Pablo Neruda

Nenhum comentário: