quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Da-me a tua mão - Clarisse Lispector


Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei  naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. 

Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir 

Nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

Texto de Clarice Lispector
arranjado em forma de poema pelo padre Antônio Damásio.

Um comentário:

Daniela disse...

Belíssimo!! Tudo na vida tem um sentido e precisamos ressignificar os nossos desejos, anseios todos os dias. Cada dia que amanhece é único! O amanhã não sei se existirá pra mim! Beijos!!